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Todos os textos aqui publicados são escritos por mim, baseados em meus trabalhos acadêmicos da vida universitária construida na UNIFESP, no qual eu acho interessante e gostaria de compartilhar.

sábado, 27 de março de 2010

Fixos e Fluxos - Cenário para a cidade sem medo




 
Milton santos foi um geógrafo brasileiro. Apesar de ter se graduado em Direito, destacou-se por seus trabalhos em diversas áreas da Geografia, em especial nos estudos de urbanização do Terceiro Mundo. Foi um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil ocorrida na década de 1970.
O texto aborda a questão dos fixos e fluxos e sua distribuição na sociedade, apontando as deficiências estruturais de sua disposição e idéias simplistas e funcionais para o combate a pobreza.
Os fixos e fluxos são os aspectos naturais ou criados que caracterizam o dia-a-dia das sociedades, seus modos de vida e suas formações sociais. Fixos e fluxos se influenciam mutuamente. Os fixos são econômicos, sociais, culturais, religiosos, etc. Os fluxos são homens, produtos, ordens, idéias, etc.
Os fixos são ainda separados em privado e públicos. Os privados as localizados segundo a lei da oferta e da procura, que regula também os preços a cobrar. Já os fixos públicos se instalam segundo princípios sociais e funcionam independentemente das exigências de lucro.
Mudá-los é mudar a sua própria significação para os próprios moradores, segundo as classes sociais.

A maior parte dos fixos sociais públicos se encontram na parte central e nas áreas nobres, a periferia deve se contentar com as escolas e casas de saúde privadas, etc. É assim que os pobres ficam mais pobres. Essa política equivale a transformar os doentes em fluxos, em vez de transferir os fixos para perto deles. Os custos dos bens e serviços tendem a crescer, e sua acessibilidade a diminuir.
Se a nova evolução da vida urbana que assim se delineia for apenas deixada ao jogo do mercado, os resultados benéficos para as grandes cidades tomadas como um todo, serão reduzidos. Aproximando os serviços essenciais das populações pobres, criando novos empregos locais diretos e indiretos, tudo isso seria o germe de uma vida local mais intensa, mais rica e mais feliz. A renovação da vida econômica, social, e cultural com uma organização apropriada do espaço pede somente um pouco mais de imaginação, na medida em que o governo se mostre decidido a entrar com o dinheiro.
O combate a pobreza deve ser pensado a partir das realidades globais, que incluem o próprio quadro de vida : na grande cidade, o território metropolitano e a forma pela qual e utilizado. Não é suficiente cuidar exclusivamente de mudar os limites atuais, impõe-se igualmente , a preocupação com o conteúdo a atribuir às novas formas, desde a questão das competências legislativas e do poder de decisão ate a disponibilidade real de recursos financeiros para dar resposta imediata a tudo que for considerado direito inadiável de todos os habitantes, enquanto cidadãos de um município. A redemocratização não estará completa enquanto a cidade não for dos cidadãos.

3 comentários:

  1. Gostei do seu texto.
    Parabéns XD

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  2. Ainda não sei direito o que são fixos e fluxos, mas este é um beo texto.

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  3. NAO COMPREENDIR NADA..A PROF° DE GEOGRAFIA PASSOU UM TRABALHO DE;
    FLUXOS E FIXOS DA GLOBALIAÇÃO!!

    =(

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